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O ano de 2020 revelou-se um dos mais desafiantes de sempre, fruto de uma pandemia, como não havia memória, que praticamente parou o país. Milhares de portugueses viram os seus rendimentos afetados, perderam familiares e amigos na luta contra um vírus invisível, distanciaram-se de quem mais amam na esperança de os proteger e voltarem a abraçar e várias foram as empresas obrigadas a encerrar portas e a dispensar colaboradores… Contudo, muitas resistiram. Nesta reportagem, destacamos três que continuaram a crescer em tempos de pandemia e fizeram das adversidades, oportunidades.

Os exemplos são claros e estão mesmo aqui ao nosso “lado”, tendo estas três empresas sede no distrito do Porto. Falamos do Grupo Fortera, que atua no ramo imobiliário de luxo e que, nos últimos quatro anos, concluiu nove projetos no Porto, em Gaia e Espinho, da plataforma de vendas online KuantoKusta e do grupo de logística e transportes Rangel.

A VIVA! esteve à conversa com os CEO’s das três empresas e revela-lhe, agora, todos os pormenores. São testemunhos reais de empresas, que conseguiram manter os seus negócios ativos, possivelmente mais firmes do que nunca, e a prosperar mesmo numa altura que tinha tudo para ser “um fracasso”. A diferença poderá estar no espírito resiliente com que cada uma delas encarou a pandemia e foi agarrando as oportunidades que daí foram surgindo. São considerados os “milagres da pandemia” e mostram que, afinal, 2020 também teve algumas coisas boas…

O KuantoKusta, por exemplo, superou 100 milhões de euros durante a Black Friday e encaminhou mais 1,25 milhões de encomendas durante a época promocional, batendo, assim, um recorde histórico, em parte suportado pelo crescimento de 800% de encomendas processadas no seu marketplace em comparação com o ano de 2019. Por sua vez, o grupo Rangel, com presença direta em sete países, iniciou operações no México e na África do Sul e tornou-se responsável pela logística da distribuição das vacinas contra a covid-19 em Portugal.

No que toca, ao investimento do grupo Fortera no último ano, que se focou, essencialmente, na aquisição em Vila Nova de Gaia, Braga e Espinho, totaliza um valor muito próximo dos 180 milhões. As duas grandes áreas de atuação da marca, note-se, centram-se, essencialmente, na aquisição de imóveis para construção de raiz ou reabilitação de espaços para fins hoteleiros ou residenciais. Em Gaia, por exemplo, a Fortera fará nascer o Skyline, um ecossistema que, segundo Elad Dror, CEO do grupo, “mudará o concelho para sempre” e que incluiu um novo centro de congressos com capacidade para 2.500 lugares, uma torre de 340 quartos, estacionamento para 600 viaturas e mais de 30 mil metros quadrados de serviços.

Entre as principais dificuldades sentidas pela Fortera durante a pandemia está “o atraso na construção e consequente entrega das unidades”, a “impossibilidade de investidores e parceiros visitarem Portugal nesta época” e os “atrasos no planeamento e questões das autarquias”, revelou o responsável da empresa, fundada em 2015. Já no setor dos transportes, Nuno Rangel considera que as maiores adversidades prenderam-se com “as complexas operações logísticas”. “Foi o caso dos muitos transportes que fizemos de carga aérea a partir da China, visto que era a única forma de retirar as mercadorias necessárias e urgentes desse país. Inclusive tivemos de fretar oito cargueiros e aviões, como é o caso do Antonov 124, um dos maiores aviões do mundo”, revelou. Além de manter as entregas em movimento, a Rangel mobilizou ainda “planos de contingência dinâmicos”, de forma “a gerir e mitigar a interrupção da cadeia de abastecimento”.

A partir do momento em que foi declarado o primeiro estado de alerta, em março, verificou-se um aumento exponencial na atividade logística dos medicamentos e de produtos de saúde relacionados”, revelou, adiantando que este aumento representou uma “duplicação no número de unidades expedidas durante os meses de março e abril”.

E no que respeita à aquisição de produtos? Quais terão sido, afinal, os produtos mais procurados pelos portugueses durante a pandemia? Sara Sá, do marketing do KuantoKusta, revelou que antes do início do primeiro estado de emergência e logo após este ser decretado se assistiu a uma “corrida a máscaras e material de desinfeção”.  “O aumento da procura, entre o dia 24 de fevereiro até o dia 1 de março de 2020, por exemplo, em máscaras esteve na ordem dos 2000%, em álcool e produtos semelhantes chegou aos 7000%”, tendo tido novamente um “crescimento súbito” no momento em que foi decretado o estado de emergência.

Com o início da obrigatoriedade do teletrabalho, portáteis, impressoras e periféricos foram os produtos com maior aumento nas pesquisas. “No caso das impressoras, 186% de aumento”, indicou, sublinhando que “todas as categorias do website beneficiaram com o confinamento”, tendo-se assistido a um “aumento considerável nas compras online, sobretudo vindas de novos utilizadores.

Aquando do início da segunda fase do ensino à distância, decretada neste confinamento geral, voltou a assistir-se, à semelhança do que já havia acontecido em março, a uma “procura desenfreada e rutura de stock” em produtos ligados à área da informática, como portáteis e impressoras.

Descubra, em detalhe, as respostas dos representantes das empresas e fique a conhecer os principais planos das três gigantes para o período pós-pandémico.


Elad Dror, CEO Grupo Fortera

Qual foi o principal investimento do grupo durante a pandemia?

Todos eles são grandes e importantes para nós e para as cidades. Em Gaia, com o projeto Skyline temos mais de 300 apartamentos, e iniciaremos o AZUL, com 64 unidades, ainda este ano.

Em Espinho, o nosso projeto de empreendimento vai criar uma mega mudança para a zona sul da cidade – 130 postos de trabalho durante a obra e outros 150 após a conclusão – e permitirá ao município recuperar população, local de trabalho e lazer. E, em Braga, temos a reabilitação do Convento do Carmo, que se torna particularmente importante, especialmente agora que Braga foi eleita o melhor destino europeu para visitar em 2021.

O que representará o Skyline para a cidade de Vila Nova de Gaia, em particular, para a região Norte e para o país? 

É um novo centro de Gaia, um ecossistema que mudará o município para sempre. O centro de congressos, o hotel, o comércio e escritórios, tudo ao redor de uma bela praça que será um ponto de interesse não só para as pessoas que ali ficam e trabalham, mas para todos os cidadãos de Gaia e todos os turistas.

Esse projeto coloca Gaia em destaque e dá-lhe o reconhecimento de uma cidade moderna com arquitetura e paisagens de ponta do século XXI.

Qual é o ponto de situação do projeto atualmente?

Estamos a trabalhar no projeto do centro de congressos, do hotel e da praça. A pandemia abrandou tudo, mas estamos 100% comprometidos com o projeto. Eventualmente podemos mudar alguns elementos para nos adaptarmos à nova realidade, mas o conceito geral permanece.

Que planos fazem para o período pós-pandemia?

As novas necessidades de se viver, trabalhar e viajar. E vamos demonstrar isso em todos os nossos projetos.

Quais os principais investimentos programados para o futuro? 

Temos mais de 200.000 m2 em pipeline, com certeza estaremos ocupados. Mas temos muitas grandes surpresas para o país com novos conceitos e visão de negócio, principalmente no comércio, que podem impactar muitos empregos e locais de trabalho que serão essenciais para o futuro que se aproxima. Esperamos ajudar com isso e continuar a trazer o investimento e inovação.

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